2008-11-16

Grupo Musical da Semana: Fondo Flamenco

Fondo Flamenco é constituido por um grupo de jovens adolescentes andaluzes com um enorme potencial. O som das suas Rumbas revela bem a sua elevada qualidade artística.


Foto do dia

Autor: Eugenio Pastor Benjumeda

2008-11-14

Viver Seixal

Um vizinho do concelho aqui ao lado do meu, um vizinho do partido à direita do meu, tem um blog que considero interessante e digno de nota. Posso não concordar com tudo o que escreve e discordo com algumas coisas que escreve, mas nem por isso o blog de Emanuel Oliveira Santos deixa de ser digno de nota.
Alguns dos seus "posts" permitem uma boa reflexão sobre temas actuais, permitem confrontar as nossas ideias com as ideias de quem pensa de forma diferente da nossa. Neste post o meu vizinho do concelho ao lado, do partido à direita do meu, faz um bom reparo sobre o tema da arrogância no exercicio do poder executivo. Tal permite uma excelente reflexão: Há ou não há valores éticos que são transversais a todos os partidos políticos democráticos?
Se não tem preconceitos e gosta de reflectir sobre o que os seus adversários políticos pensam, não deixe de visitar o blog do meu vizinho.

2008-11-13

Cuidado com o coice... do «O Jumento»

Estou habituado a que o blog «O Jumento» asseste uns coices bem dados e certeiros pelo raciocínio ou fundamentação.
Para minha surpresa O Jumento reproduziu nos seus «Coices noutros Blogs» um coice vindo do blog Random Precision que foge ao normal rigor dos coices publicados no O Jumento.
Afirma o Random Precision que "Uma professora quer que a gente acredite que trabalha 12 horas por dia na escola e ainda mais (talvez outras tantas) em casa, embora não tenha dito qual é «o seu dia de folga» (...)" . Ora só a falta de conhecimento de causa pode levar a que se produza esta afirmação. Há efectivamente professores que trabalham mais de 12 horas diárias e sem "dia de folga" durante os cinco dias úteis. Há efectivamente professores que trabalham ao fim-de-semana quando deveriam estar a descansar.
Umas simples contas tomando o caso de uma professora ou professor com sete turmas a seu cargo, correspondendo a um total de 180 alunos, tornam plausível a afirmação dessa professora.
Admita-se que em média um docente leva 14 minutos a ler, corrigir (comentários deixados nos testes, como vi em muitos testes dos meus filhos) e avaliar um teste de avaliação e multiplique-se esse tempo médio por 180 alunos. Temos 2.520 minutos utilizados no processo de avaliação dos alunos, o que corresponde a 42 horas de trabalho. Admita-se que atende um encarregado de educação durante 30 minutos e que escreve três ou quatro mensagens a encarregados de educação dos seus discentes correspondentes a 10 minutos do seu tempo de trabalho, que utiliza 20 minutos do seu tempo para actividades administrativas como participação de faltas disciplinares, comunicação de faltas ou elaboração de um relatório. Junte-se 22 horas de aulas, acrescidas de 2 horas de permanência em sala de estudo e teremos um total de 67 horas de trabalho, para as quais ainda não foram contabilizadas outras actividades como o tempo despendido na preparação das matérias a leccionar, elaboração de fichas didácticas para os alunos, etc.
Dividindo as 67 horas por cinco dias úteis de trabalho temos uma média diária de 13 horas e 24 minutos de trabalho. Parece-me assim plausível a afirmação da Professora contrariamente ao que insinua o blog Random Precision, quanto mais não seja numa semana em que o docente corrija e avalie os testes dos seus alunos. Pode não ser assim todas as semanas, mas a avaliar pelos trabalhos de casa que os meus filhos trazem para casa ao longo dos sucessivos anos lectivos, na minha qualidade de encarregado de educação, não me oferece dúvidas que em outras semanas onde não há testes, os docentes empenhados trabalhem muito para além das 35 horas semanais a que contratualmente estão obrigados.
Mais! As novas tecnologias trouxeram novidades na interacção entre alunos e professores e ainda reentemente fui positivamente surpreendido por existirem professores que utilizam o messenger para esclarecer dúvidas dos alunos, por exemplo, após a hora de jantar.
Qualquer pai ou encarregado de educação mininamente atento, sabe que não pode meter tudo no mesmo saco e que seria da maior injustiça não reconhecer que há muitos professores empenhados que, para cumprirem conscientemente com os seus deveres profissionais, não olham ao número de horas que trabalham. Cuidado com o coice... que poderá não ser justo nem merecido.
Sobre a avalição de desempenho, o Random Precision (e indirectamente o O Jumento) devia ler a produção científica existente sobre o tema: Há factores que são controláveis por quem é avaliado e outros que o não são. Um dos grandes problemas da avaliação do desempenho está precisamente em avaliar-se o avaliado por factores sobre os quais tem pouco ou nenhum controlo.
Em lugar de produzir opinião baseada no preconceito ou no estereótipo, melhor seria um coice dado com base em alguns dos melhores artigos científico sobre desempenho e avaliação do desempenho, já que uma das maiores pechas sobre a legislação produzida sobre a avaliação de desempenho dos professores ou de quaisquer outros funcionários públicos é a má fundamentação (ou nenhuma fundamentação) científica dos modelos propostos. Sugiro assim, entre outros, a leitura de:
Arvey, R. D. and Murphy, K. R. (1998). Performance evaluation in work settings. Annual Review of Psychology. 49: 141-168
Blumberg, M. and Pringle, Charles D. (1982). The Missing Opportunity in Organizational Research: Some Implications for a Theory of Work Performance. Academy of Management Review. Vol. 7, No. 4, pp. 560-569.
Borman, W. C., & Motowidlo, S. J. (1993). Expanding the criterion domain to include elements of contextual performance. In N. Schmitt & W. C. Borman (Eds.), Personnel selection in organizations (pp. 71–98). San Francisco: Jossey-Bass
Bretz Jr., Robert D., Milkovich, Georg T. and Read, Walter (1992). The Current State of Performance Appraisal research and Practice: Concerns, Directions and Implications. Journal of Management, Vol.18, Nº. 2, 321-352.

Burke, W. W. and Litwin, G. H. (1992), A causal model of organizational performance. Journal of Management. Vol. 18, N.º 3, pp. 523-545.
Campbell, J. P. (1990). Modeling the performance prediction problem in industrial and organizational psychology. In M. D. Dunnette & L. Hough (Eds.). Handbook of industrial and organizational psychology (Vol. 1, pp. 687-732). Palo Alto: Consulting Psychologists Press.

Chen, Li Yueh (2004). Examining the Effect of Organization Culture and Leadership Behaviors on Organizational Commitment, Job Satisfaction, and Job Performance at Small and Middle-sized Firms of Taiwan. Journal of American Academy of Business. Vol. 5, 1/2, 432 – 438.
Churchill, G.A.; Ford, N. M.; Hartley, S. W; Walker, O. C. (1985). The determinants of salesperson performance: A meta-analysis. Journal of Marketing Research. N.º 22, pp 103-118.
Campbell, J. P.; McCloy, R. A.; Oppler, S. H. and Sager, C. E. (1993). A theory of performance. In E. Schmitt, W. C. Bormann & Associates (Eds.), Personnel Selection in organizations (pp. 35-70). San Francisco: Jossey-Bass.
Devries, David L., Morrison, Ann M., Shullman, Sandra L., Gerlach, Michael (1981). Performance Appraisal on the Line, John Wiley & Sons Inc, New York
Feather, N. T. and Rauter, Katrin A. (2004). Organizational citizenship behaviours in relation to job status, job insecurity, organizational commitment and identification, job satisfaction and work values. Journal of Occupational and Organizational Psychology. 77, 81 – 94.

Haar, Jarrod and Spell, Chester S. (2003). Where is the justice? Examining work-family backlash in New Zealand: The potential for employee resentment. New Zealand Journal of Industrial Relations. Vol. 28, 1, 59 – 74.
Hacket, Rick D. (2002). Understanding and Predicting Work Performance in the Canadian Military. Canadian Journal of Behavioural Science, 34:2, 131-140.
Hall, James L.; Posner, Barry Z.; Harder, Joseph W. (1989). Performance Appraisal Systems. Matching Practice with Theory. Group & Organization Studies. 14, 1, pp 51 -69
Hoffmann, Terrence (1999). The meanings of competency. Journal of European Industrial Training. Vol. 23 / 3; 275-285.

Ilgen, D. R. and Schneider, J. (1991). Performance measurement: A multi-discipline view. In C. L. Cooper & I. T. Robertson (Eds.), International review of industrial and organizational psychology (Vol. 6, pp.71-108). Chichester: Wiley.
Ilgen, D. R., Barnes-Farrel, J. L. and McKellin, D. B. (1993). Performance appraisal process research in the 1980s: What has it contributed to appraisals in use? Organizational Behavior and Human Decision Processes, 54, 321-368

Johnson, Jonathan L. and O'leary-Kelly, Anne M. (2003). The effects of psychological contract breach and organizational cynicism: Not all social exchange violations are created equal. Journal of Organizational Behavior. Vol. 24, No.5, 627 – 647.
Judge, Timothy A.; Thoresen, Carl J.; Bono, Joyce E.; Patton, Gregory K. (2001). The Job Satisfaction – Job Performance Relationship: A qualitative and Quantitative Review. Psychological Bulletin. Vol. 127, Iss. 3; pg. 376.
Keller, Robert T. (1997). Job Involvement and Organizational Commitment as Longitudinal Predictors of Job Performance: A Study of Scientists and Engineers. Journal of Applied Psychology. , Vol. 82, No. 4, 539 - 545
Lam, Simon S. K.; Yik, Michelle S. M. and Schaubroeck, John (2002). Responses to Formal Performance Appraisal Feedback: The Role of Negative Affectivity. Journal of Applied Psychology. Vol. 87, No. 1, 192 – 201.

Levy, Paul E. and Williams, Jane. R. (1998). The role of perceived system knowledge in predicting appraisal reactions, job satisfaction and organizational commitment. Journal of Organizational Behavior. Vol. 19, No. 1, 53 – 65.
Lok, Peter and Crawford, John (2004). The effect of organisational culture and leadership style on job satisfaction and organizational commitment: A cross-national comparasion. The Journal of Management Development. Vol. 23, 3/4, 321 – 338.
London, Manuel, Mone, Edward M. and Scott, John C. (2004). Performance Management and Assessment: Methods for improved rater accuracy and employee goal setting. Human Resource Management. Vol. 43, Nº. 4, pp. 319-336.

McNeese-Smith, Donna (1996). Increasing employee productivity, job satisfaction, and organizational commitment. Hospital & Health Services Administration. Vol. 41, No. 2, 160 – 175.
Meglino, Bruce M.; Ravlin, Elizabeth C. and Adkins, Cheryl L. (1989). A Work Values Approach to Corporate Culture: A Field Test of the Value Congruence Process and Its Relationship to Individual Outcomes. Journal of Applied Psychology. Vol. 74, No. 3, 424 - 432.

Motowidlo, S. J., & Van Scotter, J. R. (1994). Evidence that task performance should be distinguished from contextual performance. Journal of Applied Psychology, 79, 475-480.
Motowidlo, S. J.; Borman, W. C. and Schmit, M. J. (1997). A theory of individual differences in task and contextual performance. Human Performance, 10, pp. 71-83.
Murphy, K. R. and Cleveland, J.N. (1991). Performance Appraisal: An Organizational Perspective, Allyn & Bacon, Boston.
Murphy, Kevin R. and Jeanette N. Cleveland (1995). Understanding performance appraisal: social, organizational, and goal-based perspectives. Thousand Oaks, CA: Sage Publications.
Newton, T. and Findlay, P. (1996). Playing God? The performance appraisal. Human Resource Management Journal 6(3), pp. 42-58.
Poropat, A., (2000). An Examination Of The Relationship Between Contextual And Technical Performance In An Academic Setting, TLRP Annual Conference. http://www.tlrp.org/pub/acadpub/Poropat2000.pdf, (10 de febrero de 2004)
Rotundo, M. (2002) Defining and Mesuring Individual Level of Job Performance: A Review and Integration. Canadian Forces Leadership Institute. In http://www.cda-acd.forces.gc.ca/CFLI/engraph/research/pdf/06.pdf

Smith, Alan D.; Rupp, William T. (2003). Knowledge workers: exploring the link among performance rating, pay and motivational aspects. Journal of Knowledge Management. Vol. 7, N.º 1, pp 107-124.
Smith, Alan D.; Rupp, William T. (2004). Knowledge workers’ perceptions of performance ratings. Journal of Workplace Learning. Vol. 16, N.º 3, pp 146-166.
Ting, Yuan (1997). Determinants of job satisfaction of federal government employees. Public Personnel Management. Vol. 26, No. 3, 313 – 334.
Vancouver, Jeffrey B.; Millsap, Roger E. and Peters, Patricia A. (1994). Multilevel Analysis of Organizational Goal Congruence. Journal of Applied Psychology. Vol. 79, No. 5, 666-679.

Werner, J. M. (1994). Dimensions that make a difference: Examining the impact of in-role and extra-role behaviors on supervisory ratings. Journal of Applied Psychology, 79, 98-107.
Wiese, Danielle S. and Buckley, M. Ronald (1998). The evolution of the performance appraisal process. Journal of Management History. Vol. 4, pp. 223-249

2008-11-02

Imagem do dia

Time goes by...
Manuel Lao

O Homem que colocou Hitler no Banco dos Réus


Hans Litten (1903 - 1938) é uma figura pouco conhecida em Portugal. Todavia, foi um dos mais meritórios advogados alemães da sua época, tendo levado Adolf Hitler a tribunal, obrigando-o a sentar-se no banco dos réus. Facto que este não esqueceu e que o levou à morte no tenebroso campo de concentração Dachau.


A grande dimensão deste Homem, advogado da "Rote Hilfe" (Ajuda Vermelha), percebe-se através da leitura do livro «Crossing Hitler: The Man Who Put the Nazis on the Witness Stand» da autoria de Benjamin Carter Hett.
Pensar e meditar sobre o comportamento de pessoas como Hans Litten faz todo o sentido, principalmente quando há por aí quem queira trucidar os trabalhadores da Administração Pública Portuguesa.

AUF WIEDERSEHEN TEMPELHOF! Adeus Tempelhof

Berliner Kinder begrüssen die ersten Flugzeuge der Luftbrücke:
'Rosinenbomber' bringen Lebensmittel für die eingeschlossene Bevölkerung. - 1948
Foto: Ullstein Bild

Nem sempre os movimentos de cidadania levam a melhor perante políticos de vistas curtas, daqueles que são capazes de afirmar que trucidam. A excelente campanha do ICAT Interessengemeinschaft City-Airport Tempelhof e. V., que acompanho desde de Fevereiro de 2008, não levou a melhor.
Berlin perde um dos seus grandes simbolos. Para quem não saiba, o aeroporto Tempelhof foi aquele que permitiu alimentar Berlin durante o bloqueio soviético em plena guerra fria. Sem ele não teria havido a maior ponte aérea de ajuda humanitária que há memória.
No Der Spiegel online, encontra o caro leitor deste blog um excelente artigo (em inglês) sobre o encerramento do aeroporto Tempelhof e uma boa galeria de fotos sobre o Tempelhof.
Perante a insanidade política, tal qual muitos em Berlin e por esse Mundo fora, apenas me resta dizer - Ich bin ein Berliner! Auf Wiedersehen Tempelhof!


Perfil de um Trucidador

Foto: Obra de Giacomo Paracca
'The Slaughter of the Innocents'
(A Matança dos inocentes)

A versão online do Correio da Manhã da fé que um importante membro do governo afirmou que «trabalhadores, serviços e dirigentes que não estejam com a reforma serão trucidados», afirmação que ainda não vimos desmentida e que tomamos por verdadeira.
Trucidar, palavra que deriva do latim trucidare, significa matar cruelmente, com barbaridade. Ora não me parece adequado que um membro do Governo ande para aí a anunciar e ameaçar matar cruelmente, com barbaridade, quem quer que seja.
Será talvez algo adequado e expectável de um déspota ou um tirano de uma qualquer República das Bananas, mas não é certamente adequado na oratória de um membro de um Governo da nossa República Portuguesa. Muito menos quando o governante em causa até tem um perfil académico e profissional que lhe permite evitar este tipo de afirmações.
Eis o perfil do Trucidador retirado do Portal do Governo:

Secretário de Estado da Administração Pública

Gonçalo André Castilho dos Santos
Nascido em Lisboa, em 23 de Setembro de 1974
Casado, dois filhos


Habilitações Académicas
Mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (2003)
Licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1997)


Actividade Profissional
Chefe do Gabinete do Ministro de Estado e das Finanças (Julho 2005-Maio 2008)
Representante nacional no Comité dos Serviços Financeiros junto do Conselho Ecofin da União Europeia (Janeiro 2007- Abril 2008)
Tem participado como orador em diversas conferências, colóquios e seminários nacionais e internacionais, nas áreas da regulação e supervisão financeiras, bem como dos serviços financeiros na União Europeia
Formador em diversos cursos de pós-graduação em Direito dos Valores Mobiliários, promovidos pelo Instituto dos Valores Mobiliários da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Leccionou as disciplinas de Direitos Reais e Direito das Obrigações na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1996-2003)
Entre 1997 e 2005, exerceu, sucessivamente, funções de técnico jurista e de dirigente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, assumindo, especificamente, responsabilidades na actividade regulatória e na representação nacional em fora internacionais na área da supervisão e regulação financeiras


Trabalhos publicados
Autor de diversos textos publicados nas revistas Direito dos Valores Mobiliários e Cadernos do Mercado de Valores Mobiliários, bem como de duas monografias: «Dever de informação sobre factos relevantes pela sociedade cotada» e «A responsabilidade civil do intermediário financeiro perante o cliente»


Funções governamentais exercidas
Desde 2008-06-04 Secretário de Estado da Administração Pública do XVII Governo Constitucional