2008-11-20

Que PS? Que Socialismo? Que pensa um militante de base?

Paulo Pedroso escreve no Canhoto que «José Sócrates tem a grande responsabilidade de ter um partido disposto a obedecer-lhe e erra se pensar que o seu caminho é o de o fechar sobre os escolhidos e os nomeados. Em vez de por os assessores dos gabinetes ministeriais a preparar planos para salvar Portugal dos portugueses precisa de envolver toda a grande família socialista na sociedade civil na elaboração de uma plataforma governativa que valha para a próxima década.» e eu militante de base, humildemente, pergunto-me - Será suficiente?


Na minha modesta opinião de militante de base, não é suficiente. É tão somente uma condição necessária para por o PS a servir o país. A ela acrescem outras condições como repensar de todo o processo de selecção e recrutamento dos escolhidos e nomeados, definir o perfil de competências dos assessores, ou não deixar o partido caír no marasmo, sem vida própria porque os goverantes, os escolhidos e nomeados, os assessores, são as mesmíssimas pessoas que acabam por (não) estar nos lugares chave de direcção do PS a nível nacional, federativo e concelhio.


Paulo Pedroso escreve no Banco Corrido... «Mas, se nas próximas semanas partir para essa tarefa começando por uma "lista de dispensas" ou por acolher com simpatia auto-marginalizações diversas, ainda acaba com um programa que Manuela Ferreira Leite gostasse de copiar e um entendimento para governar o país com Paulo Portas. Esse caminho, contudo, já seria o de outro PS que não o daquele para que entrei e, então, não só compreenderia muitissimo bem que Alegre quisesse dispensar-se de tais companhias, como lhe daria razão em fazê-lo.» e eu militante de base, humildemente, pergunto-me - Mas o caminho seguido sob a liderança do meu homónino José não é o de um outro PS, bem distinto daquele PS para que entrei no início da década de 80, após anos de militância na JS?


Na minha modesta opinião, é um PS distinto daquele para o qual entrei e não necessariamente para melhor. Neste momento temos um PS em que o Socialismo voa... voa! Mas voa baixinho como o crocodilo. Diversas bandeiras ideológicas do PS cederam lugar a um pragmatismo tecnocrata eivado de tiques de liberalismo, assente no mito de que a Gestão Privada é superior à Gestão Pública, assente em paradigmas como o do New Public Management defendido pelos nada socialistas Osborne e Gaebler (1993) [1], os quais são alvo de duras críticas no seio da comunidade científica devido aos resultados dos modelos da Nova Gestão Pública inspirados nestes dois autores. Por exemplo, nas suas conclusões OCAMPO faz notar que «(...)the problems and issues that these models have raised suggest also that we should proceed with caution in adopting intellectual fashions and “best practices.” » (Consulte sobre este assunto os documentos existentes na Rede das Administrações Públicas da ONU).

Creio que é tempo de regressar aos valores e à ética própia do Socialismo expressa em nomes como Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes, Salgado Zenha, Teófilo Carvalho dos Santos, Manuel Alfredo Tito de Morais, só para citar - entre tantos outros nomes menos conhecidos das gerações mais novas - alguns dos grandes nomes do Socialismo Português.



Notas Bibliográficas


[1] Osborne, David and Ted Gaebler (1993), Reinventing Government: How the Entrepreneurial Spirit is Transforming the Public Sector. New York: Penguin.

1 comentário:

Anti PS Neoliberal disse...

Caro José Brás dos santos

O partido socialista começou por se esvair ideologicamente, os símbolos deixaram de o ser, a própria historia do partido foi esquecida, porque bem sabe o partido socialista começou em 1973 na Alemanha mas com uma forte tradição do velho Partido Socialista da 1ª Republica toda a componente laica e republicana é hoje tratada como se uma coisa menor e até ridícula se tratasse, "os tempos mudaram temos que nos adaptar à nova sociedade", são argumentos que me inquietam, eu nunca fui um radical, nunca fui um Manuel Serra, sempre tive opiniões moderadas, sou um reformista, mas um reformista com dialogo, em Democracia é necessário dialogar, fui "empurrado" para fora do PS, cada vez estava mais à esquerda ao ponto de sair, hoje não tenho a menor afinidade com tal partido politico, existem no PS alguns militantes que ainda me merecem confiança, mas cada vez são menos.

A onda neoliberal que atravessou o PS fez com que se descaracterizasse, é assim uma coisa amorfa sem sentido é um PSD do centro direita ou um PPD de esquerda, porque de Socialista nada tem.

Cumprimentos


Anti PS Neoliberal